sexta, 08 setembro 2017 12:03

Prof. Doutor Miguel Gonçalves: “Ventiladores telemonotorizados num futuro próximo em Portugal”

No âmbito do Dia Mundial da Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), que se assinalou ontem, dia 7 de setembro, o fisioterapeuta Prof. Doutor Miguel Gonçalves participou na conferência “Juntos somos mais fortes”, promovida pela Associação Portuguesa de Neuromusculares (APN), com uma palestra subordinada ao tema “Estratégias Respiratórias e Fisioterapia Respiratória na DMD”. O especialista esteve à conversa com o My Pneumologia e revelou que “do ponto de vista da Pneumologia a grande promessa para os doentes prende-se com a Telemedicina”, referindo-se aos ventiladores telemonotorizados.

Na iniciativa promovida pela APN, que juntou profissionais de Saúde, doentes e familiares, o Prof. Doutor Miguel Gonçalves focou-se no tema das estratégias respiratórias nos doentes com distrofia muscular Duchenne, uma patologia que “implica uma avaliação criteriosa por parte da Pneumologia na deterioração da função pulmunar e consequente dependência ventilatória”.
O fisioterapeuta da Unidade de Ventilação não-invasiva do Serviço de Pneumologia do Hospital de São João e professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) alertou para a necessidade dos doentes terem uma equipa multidisciplinar, “composta por pneumologistas, fisioterapeutas e enfermeiros especializados” neste tipo de doentes “que têm uma patologia muscular que afeta diretamente a bomba ventilatória”.

Relativamente à estratégia de tratamento, o Prof. Doutor não tem dúvidas em afirmar que “nenhum doente com DMD precisa de ser ventilado com uma traqueostomia”. “Hoje em dia, com estratégias ventilatórias e protocolos muito bem estudados e desenhados, conseguimos poupar o doente a essa intervenção que implica muito menos qualidade de vida”, acrescentou.
Para o especialista, é na combinação entre a estratégia ventilatória e a estratégia de manejo das secreções que está o pilar fundamental para a “estabilidade respiratória” destes doentes. Uma estabilidade que permite declarar que “ já não há uma mortalidade excessiva relacionada com a questão respiratória”. “A mortalidade nestes doentes está relacionada com a componente cardíaca. Os doentes chegam aos 35/40 anos com uma cardiopatia significativa e o tratamento que há para a insuficiência cardíaca não é tão eficaz como o tratamento para a insuficiência ventilatória”, explicou.

De olhos postos num futuro próximo, o Prof. Doutor Miguel Gonçalves acredita no potencial da Telemedicina aplicada aos ventiladores, que apelida como “a grande promessa para os doentes com DMD” na área da Pneumologia. “Os ventiladores estão cada vez mais sofisticados, mais portáteis, têm mais autonomia e os mais evoluídos permitem que haja uma vigilância por telemonotorização”.

Uma solução que apresenta vantagens quer para os doentes, quer para as equipas técnicas: “Ao vigiar estes doentes por telemonotorização estamos a ter uma atitude pro ativa, a prevenir problemas e sobretudo a reduzir o número de consultas e de internamentos”. Estes ventiladores já são utilizados em centros de referência na europa, bem como nos Estados Unidos da América (EUA) e o especialista espera que “em 2018 ou 2019 cheguem mesmo a Portugal”. “A área da ventilação domiciliária está a crescer exponencialmente e os centros vão ter que responder com a Telemedicina”, referiu.

Por último, e referindo-se à resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) aos doentes com DMD, o fisioterapeuta alerta para a necessidade de criar centros de referência “que tenham critérios para acompanhar estes doentes do ponto de vista neurológico, fisiátrico, pediátrico e pneumológico”. Uma estratégia que permitiria homogeneizar o tratamento dos doentes. “Num país tão pequeno não se justifica que haja tanta disparidade em termos de protocolos”, defendeu.

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