quinta, 22 novembro 2018 17:54

DPOC é a sétima causa de morte prematura em Portugal com um subdiagnóstico superior a 80%

“Onde estamos e para onde queremos ir na gestão da DPOC em Portugal” foi o tema da reunião de especialistas organizada pela GSK, no último dia 21 de novembro, a propósito do Dia Mundial da DPOC. A sessão visava debater os principais desafios clínicos, sociais e económicos na gestão da patologia e as medidas necessárias para alterar o curso atual da DPOC em Portugal, a sétima causa de morte prematura. A principal conclusão retirada do encontro diz respeito ao facto de existirem, estima-se, 800 mil doentes no país, ainda que o subdiagnóstico ronde os 86%.

 

Para inverter a tendência atual, três pilares estratégicos são fundamentais: a prevenção, através do investimento na cessação tabágica; o diagnóstico precoce, com promoção do conhecimento dos sinais de alerta e um aumento da realização de espirometrias; e a gestão integral da doença, através de medicação, educação do doente e reabilitação respiratória.

 Ao longo do debate, foi sublinhada a importância da terapêutica farmacológica e o seu impacto na gestão da patologia. “Acordar com falta de ar é um sentimento muito comum nos doentes de DPOC e só quem experiencia essa sensação sabe a aflição que causa. Nessas situações, o que os doentes mais desejam é um medicamento que os alivie", comentou a Dr.ª Isabel Saraiva, vice-presidente da RESPIRA.

Um objetivo alinhado com o compromisso que a GSK assume na luta contra as doenças respiratórias, conforme recordado pela diretora-geral, Dr.ª Silvia Guichardo. “Há 50 anos que a GSK tem trabalhado em conjunto com os profissionais de saúde e doentes no desenvolvimento de soluções para os desafios que doenças respiratórias, como a asma e a DPOC, apresentam. O Dia Mundial da DPOC é um momento para, novamente, recordarmos o compromisso que assumimos diariamente, de trabalhar de forma colaborativa com os doentes e com os profissionais de saúde dos cuidados primários e especializados na gestão deste problema de Saúde Pública, que é a DPOC”.

A sessão desenvolveu-se em volta de dois temas de discussão: “O impacto socioeconómico da DPOC em Portugal” e “Sub-diagnóstico e Exacerbações: Como responder aos principais desafios da DPOC?”, com a presença de reconhecidos nomes da área.

Segundo o diretor executivo da APIFARMA, tomando como referência dados de 2016, a DPOC foi responsável por cerca de cinco mil mortes em Portugal, tendo sido a sétima principal causa de morte prematura no país. O Dr. Heitor Costa sublinhou, ainda, os 28 milhões de euros associados a hospitalização e atendimento de urgência a doentes com DPOC, que representam 14% de todos os casos de hospitalização e cuidados de emergência preveníveis.

Por sua vez, a Dr.ª Isabel Saraiva destacou o “fosso existente entre as necessidades e a realidade. Devíamos ter uma rede de espirometria no país todo, o que ainda não se verifica. Devíamos ter 30% a 40% dos doentes em programas de reabilitação respiratória e estão menos de 2%”.

Como frisou a Dr.ª Paula Pinto, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, assistimos a uma tendência positiva na evolução nos últimos cinco anos, com melhorias nos números de diagnóstico, “apesar de existirem ainda assimetrias regionais grandes. Assistimos a menos internamentos por DPOC. A prevalência está a aumentar, mas apesar de tudo estamos a diagnosticar e a tratar bem os doentes”.

O principal perigo, concordam todos, está no subdiagnóstico existente, resultado de uma mistura de fatores, sumarizados pelo Dr. João Ramires: “a desvalorização dos sinais e sintomas por parte dos próprios doentes; a falta de tempo nas consultas nos Cuidados de Saúde Primários para fazer as perguntas certas aos doentes; a escassez de meios humanos e técnicos especializados capacitados para fazer as espirometrias fundamentais no diagnóstico”. Além disso, foi também apontada a dificuldade de comunicação entre médicos e doentes e a distância que existe entre ambas as partes.

O tema do subdiagnóstico foi parte integrante também do segundo painel da tarde, com o Prof. Doutor José Alves a considerar que todos os fumadores deveriam fazer, por rotina, obrigatoriamente, uma espirometria. “Nas suas primeiras fases a DPOC não tem sintomas. Só há sinais de alarme quando há uma perda de função respiratória na ordem dos 30%”.

 

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