quinta, 07 dezembro 2017 09:52

Controlar a asma dos portugueses permite poupar cerca de 184 milhões de euros por ano

Os dados fazem parte de dois estudos realizados por investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS). O trabalho sobre a população adulta revela que a poupança pode ser superior a 154 milhões de euros por ano; no caso das crianças, os números apontam para uma descida de 20% na despesa global com a doença, o equivalente a 30 milhões de euros. Isto, se todas as crianças e adultos que sofrem de asma tiverem a doença controlada.

O objetivo dos investigadores foi avaliar o impacto económico da patologia para alertar os decisores políticos e as instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para a importância do controlo, evitando crises de agudização, desta doença inflamatória crónica das vias aéreas, que hoje é muito desvalorizada, devido à preponderância das formas ligeiras, apesar de haver casos graves.

O estudo “Cost of asthma in Portuguese adults: A population-based, cost-of-illness study” estima que os adultos com asma custem cerca de 547 milhões de euros por ano ao país, uma média de 761,58 euros por doente. Assim, o trabalho já publicado na Revista Portuguesa de Pneumologia indica que o controlo da doença nesta população permitiria obter uma poupança superior a 154 milhões de euros por ano.

No que diz respeito aos menores de idade, os investigadores compararam os gastos de uma criança com asma controlada (747,63 euros por ano, em média) com a despesa média de uma criança com a doença não controlada (1758,44 euros). O estudo “Cost of asthma in children: a nationwide, population-based, cost-ofillness study”, publicado na edição de novembro do Pediatriac Allergy Immunology, mostra Portugal poderia poupar até 30 milhões de euros por ano só com o controlo da asma nas crianças até aos 17 anos de idade.

Feitas as contas, a asma representa 3% da despesa total em saúde. Ainda assim, e apesar de elevados, admite-se que estes números estejam subestimados, sobretudo devido à falta de dados relativos aos custos indiretos, que incluem, por exemplo, os custos com transportes, o absentismo laboral e a perda de produtividade.


“Os doentes não controlados gastam mais do dobro que os doentes controlados"

Em declarações ao jornal Público, o Prof. Doutor João Fonseca, coordenador dos estudos, admite que “não há nenhum país que consiga ter toda a população com a asma controlada”, mas, ainda assim, defende que não seria difícil reduzir para metade o número de pessoas nesta situação porque “a asma é controlável a partir sobretudo da idade escolar”. Em Portugal, afirma o também vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) ainda persiste “a cultura de que as pessoas têm que aguentar”.

O especialista sublinha a importância de iniciativas de sensibilização, destacando a campanha Vencer a Asma que, em 2017, fez mais de 500 espirometrias e mais de mil inquéritos junto da população. Para o próximo ano está previsto um roadshow que passará por várias cidades, promovendo a prevenção e o controlo da doença.

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