sexta, 29 junho 2018 10:14

CE aprova osimertinib no tratamento de 1.ª linha do cancro do pulmão de não-pequenas células com mutações do EGFR

A Comissão Europeia (CE) autorizou a comercialização de osimertinib em monoterapia para o tratamento de 1.ª linha de doentes adultos com cancro do pulmão de não-pequenas células, localmente avançado ou metastático (CPNPC), com mutações ativadoras do recetor do fator de crescimento epidérmico (EGFR). A aprovação é baseada nos resultados do ensaio de Fase III FLAURA, publicado no New England Journal of Medicine.

 

Num comunicado divulgado à comunicação social, o Dr. David Planchard, professor associado de Medicina, diretor chefe do Thoracic Group, do Gustave Roussy Cancer Center, França, refere que “o estudo FLAURA irá mudar a prática clínica no tratamento de 1.ª linha de CPNPC com mutação do EGFR". "O benefício de sobrevida livre de progressão, observado no estudo, não tem precedentes para os doentes com uma mutação de EGFR, e esse benefício foi consistente em todos os subgrupos, incluindo em doentes com ou sem metástases no sistema nervoso central. Para além disso, os dados preliminares de sobrevida global, embora não sejam estatisticamente significativos no momento da análise preliminar, são promissores, com uma redução de 37% no risco de morte”, explica.

Na União Europeia (UE), osimertinib já se encontrava indicado para o tratamento de doentes com CPNPC localmente avançado ou metastizado, positivo para a mutação EGFR T790M. A aprovação agora concedida segue as recentes aprovações de Tagrisso para o tratamento de primeira linha de doentes com CPCNP, com mutações ativadoras do recetor do fator de crescimento epidérmico (EGFR).

O cancro do pulmão é a principal causa de morte por cancro entre homens e mulheres, representando cerca de um terço de todas as mortes por cancro, mais do que o cancro da mama, próstata e colo-retal juntos. Cerca de 10 a 15% dos doentes nos Estados Unidos da América (EUA) e na UE e 30 a 40% de doentes na Ásia têm cancro do pulmão de não-pequenas células com mutação EGFRm.

Estes doentes são particularmente sensíveis ao tratamento com os TKIs atualmente disponíveis, que bloqueiam as vias de sinalização celular que promovem o crescimento das células tumorais. No entanto, os tumores desenvolvem quase sempre resistência a tratamentos com TKI, levando à progressão da doença. Aproximadamente metade dos doentes desenvolve resistência aos TKIs aprovados, como o gefitinib e erlotinib, devido à mutação de resistência, EGFR T790M.

Osimertinib atua, também, na mutação EGFR T790M, que leva à progressão da doença. Existe a necessidade de aumentar o perfil de eficácia destes agentes ao nível do sistema nervoso central, uma vez que aproximadamente 25% dos doentes com CPNPC EGFRm têm metástases cerebrais no momento do diagnóstico, valor que aumenta para aproximadamente 40% dois anos após o diagnóstico.

O osimertinib é um inibidor da tirosina quinase (TKI) do EGFR, irreversível, de terceira geração, desenvolvido para inibir tanto as mutações sensibilizadoras do EGFR, bem como a mutação de resistência, EGFR T790M, que apresenta atividade clínica nas metástases do sistema nervoso central (SNS).

Os comprimidos orais de osimertinib 40mg e 80mg de toma única diária foram aprovados em mais de 50 países, incluindo os EUA, UE, Japão e China, para doentes com cancro de pulmão de não-pequenas células com mutação positiva do EGFR T790M. Está também a ser estudado em ensaios clínicos para outras abordagens de primeira linha adjuvantes e metastizadas, que incluem doentes com e sem metástases do SNC, com metástases leptomeningeais e em combinação com outros fármacos.

 

FLAURA

O FLAURA avaliou o perfil de eficácia e segurança do tratamento com osimertinib 80mg de toma única diária versus o tratamento standard com TKIs (seja o erlotinib [150mg oralmente, uma vez por dia] ou gefitinib [250mg oralmente, uma vez por dia]) em doentes de primeira linha com cancro de pulmão de não-pequenas células com mutação positiva do EGFR. Este ensaio foi duplamente cego, randomizado, com 556 doentes em 30 países.

O objetivo primário do ensaio é a sobrevivência livre de progressão e os objetivos secundários incluíam a sobrevida global, taxa de resposta objetiva, duração da resposta, taxa de controlo de doenças, segurança e medidas de qualidade de vida.

Os resultados de perfil de eficácia do FLAURA, de acordo com a avaliação do investigador, demonstraram que osimertinib versus tratamento standard com TKIs, alcançou um benefício de sobrevivência livre de progressão (PFS) de 18,9 meses vs 10,2 meses e uma mediana de duração de resposta de 17,2 meses vs 8,5 meses. Relativamente ao perfil de tolerabilidade, osimertinib manteve um perfil idêntico ao demonstrado pelo tratamento standard com TKIs, no entanto, com uma menor taxa de efeitos secundários de grau ≥ 3 e com uma menor taxa de descontinuação.

 

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