sexta, 19 outubro 2018 09:56

WELCOME Vest: consórcio europeu desenvolve colete para monitorização contínua da DPOC

De acordo com previsões da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2030, a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) vai ser a quarta causa de morte e a sétima causa de morbilidade em todo o mundo. Face a esta realidade, um consórcio europeu desenvolveu um colete inovador para monitorização contínua da patologia, sendo que do grupo fazem parte nove investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

 

O projeto, Wearable Sensing and Smart Cloud Computing for Integrated Care to COPD Patients with Comorbidities (WELCOME), tem sido desenvolvido ao longo dos últimos quarto anos, com o principal objetivo de desenvolver um sistema tecnológico que mude o paradigma no tratamento e acompanhamento dos pacientes que sofrem de DPOC com comorbilidades, entre as quais insuficiência cardíaca, ansiedade depressão e diabetes.

Para tal, aposta na designada Medicina P4: preditiva, preventiva, personalizada e participativa.

O consórcio, que envolve, para além de investigadores, pneumologistas, terapeutas respiratórios e farmacêuticos, conseguiu, pela primeira vez, produzir um colete que incorpora um sistema de tomografia de impedância elétrica, equipamento que permite obter, de forma não invasiva, imagens dos pulmões geradas através da passagem de uma corrente elétrica.

 

Funcionamento do WELCOME Vest

“Esta foi a grande inovação do projeto, mas o colete, que é apenas uma parte da solução tecnológica desenvolvida, integra tecnologia diversa, concretamente um vasto conjunto de diferentes tipos de sensores para monitorização contínua de sinais fisiológicos (eletrocardiograma, saturação de oxigénio, sons respiratórios, frequência respiratória e atividade física)”, descreve o Dr. Rui Pedro Paiva, docente do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC e coordenador da equipa portuguesa.

“O WELCOME Vest efetua a aquisição em tempo real de um imenso volume de dados muito díspares e envia-os para um dispositivo do paciente (tablet ou smartphone), onde é realizado o pré-processamento da informação recolhida para validar a sua qualidade. Também no tablet, o paciente dispõe de uma aplicação com um conjunto de tarefas a realizar pelo próprio, tais como resposta a questionários de fadiga, medição de pressão arterial, pesagem ou visualização de vídeos (in)formativos”, esclarece.

Concluída esta pré-validação, os dados são remetidos para uma “central de informação” instalada na Cloud (computação na nuvem), onde se encontram todos os algoritmos desenvolvidos pelos cientistas do consórcio, “para o processamento dos diferentes tipos de informação que permita traçar o quadro do paciente e prever exacerbações (episódios de agravamento da doença), fornecendo ao médico, através de um sistema inteligente de apoio à decisão, informação que possibilite atuar atempadamente, evitando internamentos e atuando ao nível da prevenção e mitigação das comorbilidades da DPOC”, realça o investigador.

De acordo com o especialista em informática clínica, esta solução tecnológica “terá um impacto socioeconómico muito elevado não só na qualidade de vida e conforto do doente, mas também nos sistemas de saúde. Apostamos numa abordagem proativa e centrada no paciente, visando a deteção precoce de complicações”.

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