quinta, 06 dezembro 2018 13:03

Investigadores desenvolvem método simples de diagnóstico de asma

Uma equipa de investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) criou uma ferramenta que permite identificar a asma, através de um simples sistema de pontuações. O trabalho onde esta ferramenta é apresentada à comunidade médica internacional foi recentemente publicado no The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, uma das mais importantes revistas científicas na área da Alergia.

 

“Embora seja uma doença muito comum e muito estudada, a asma ainda não dispunha de nenhum instrumento de triagem simples e fiável, desenvolvido de forma exigente”, refere o Prof. Doutor João Fonseca, líder da equipa de investigação do CINTESIS e docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

A falha que este trabalho vem agora colmatar, além de dificultar a identificação de casos de asma, prejudicava a robustez dos estudos sobre esta doença e estará, até, por detrás de algumas disparidades encontradas entre a prevalência de asma reportadas por diferentes trabalhos.

“Faltava um modelo de classificação válido, que permitisse distinguir, de forma simples, as pessoas nas quais a existência de asma é provável, daquelas cuja confirmação da doença requer uma avaliação médica e das que é muito pouco provável terem asma”, adianta o especialista.

Apostada em corrigir a situação, a equipa de investigação desenvolveu e validou duas pontuações para a identificação da asma em adultos. “Para isso, foram avaliados dados de mais de 700 adultos com e sem asma, de todo o país. Os doentes foram avaliados por um especialista em consulta médica estruturada e meios auxiliares de diagnóstico”, explica a investigadora do CINTESIS Dr.ª Ana Sá Sousa, primeira autora do trabalho.

Os dois questionários de identificação de asma desenvolvidos e agora tornados públicos demonstraram ser boas ferramentas de triagem da asma em adultos, possibilitando também, pela primeira vez, a utilização de pontuações cientificamente robustas em estudos epidemiológicos de asma.

Os questionários são curtos, com seis ou oito questões, e fáceis de usar, sendo o resultado dado pela soma do número de respostas positivas. A performance desta ferramenta tem entusiasmado a comunidade médica, estando já a ser planeados “novos estudos noutras populações, incluindo no sudoeste asiático”, acrescenta o Prof. Doutor João Fonseca.

 

Fonte: Universidade do Porto

 

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