quinta, 06 dezembro 2018 15:29

Equipa do i3S estuda latência da tuberculose para tentar entender o processo de eliminação da bactéria

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), no Porto, estão neste momento a analisar a latência da tuberculose, com o propósito de perceber como é que algumas pessoas conseguem eliminar a bactéria do sistema imunitário.

 

“Estima-se que 1,7 biliões de pessoas tenham tuberculose latente, ou seja, são pessoas perfeitamente saudáveis, que não têm tuberculose, nem estão doentes, mas alguns terão a bactéria no seu organismo. Isto significa que desses 1,7 biliões de indivíduos, devido a possíveis fragilidades do sistema imunitário, alguns poderão desenvolver tuberculose”, afirmou a Dr.ª Margarida Saraiva, líder do grupo ‘Immune Regulation’ do i3S.

Até ao momento, e desde 2015, a equipa de investigadores em causa tem vindo a desenvolver diversos projetos na área da tuberculose, pretendendo agora, através de uma “’marca que é deixada no sistema imunitário pela bactéria”, distinguir “quem a eliminou e quem não a eliminou”.

“A bactéria aprendeu a ‘escapar’ ao nosso sistema imunitário, mas nós também aprendemos a lidar com ela. O que queremos é perceber mais concretamente como é que a bactéria ‘escapa’ ao sistema imune e como é que a maioria das pessoas lida com ela, sendo que algumas acabam mesmo por conseguir eliminá-la do sistema imunitário”, adiantou a especialista à Lusa, citada pela Sapo 24.

De acordo com a Dr.ª Margarida Saraiva, esta marca deixada pela bactéria e relacionada com o fenómeno “treino da imunidade inata” foi “descoberta muito recentemente” e pode vir a ter “um valor muito interessante” no que à tuberculose diz respeito.
Desta forma, em colaboração com o Centro de Diagnóstico Pneumológico do Porto (CDP), os investigadores recrutaram para o “banco de amostras” que está a ser construído” cerca de 300 participantes da região do Porto, em diferentes estadios, como tuberculose ativa, fase de tratamento e tuberculose latente.

Além disso, a Dr.ª Margarida Saraiva confidenciou à Lusa que a equipa do i3S tem intenção de, no final deste ano, submeter um artigo sobre “os fatores de virulência da bactéria que causa a tuberculose”.

O grupo ‘Immune Regulation’ já foi distinguido pela European Society for Microbiology and Infectious Diseases e pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia, tendo-lhe sido também atribuída a Bolsa D. Manuel de Mello para investigação clínica.

 

Fonte: Sapo 24

 

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