quinta, 19 abril 2018 13:14

VNI em fase aguda: Viagem Não Indicada para se ir sozinho!

Escrito por  Enf.ª Tânia Leite, Serviço Medicina Intensiva, Hospital Beatriz Ângelo

O uso da ventilação não invasiva com pressão positiva (VNI) para o tratamento de doentes com insuficiência respiratória aguda ou crónica agudizada foi, certamente, um dos maiores avanços da ventilação mecânica nas últimas duas décadas. Apesar do seu uso ser relativamente recente, o grande número de séries de casos, ensaios clínicos randomizados, meta-análises ou revisões sistemáticas, assim como conferências de consenso e diretrizes publicadas até o presente momento, tornaram a aplicação desta técnica mais "baseada em evidências" do que provavelmente qualquer outra medida de suporte ventilatório.  

A aplicação da VNI nas situações agudas requer uma monitorização rigorosa do doente, sobretudo na fase inicial, exigindo experiência e dedicação de mais tempo por parte, tanto da equipa médica como da equipa de Enfermagem, havendo, portanto, um maior consumo de recursos humanos.

VNI em fase aguda – uma técnica autónoma?

O paradigma da ventilação está a mudar, mas para efetivar essa mudança é necessário acompanhar com o ajuste dos recursos humanos. Neste sentido, no meu entendimento, o enfermeiro especialista em Enfermagem de Reabilitação (EEER) desempenha um papel essencial na adaptação, deteção precoce de complicações, resolução de problemas e na redução do tempo de ventilação, promovendo o desmame assim que possível.

A adaptação de um doente a VNI em fase aguda da sua insuficiência respiratória pode ter um carácter emergente, urgente ou controlado. No entanto, em qualquer das situações, os planos de intervenção visam essencialmente, numa fase aguda, intervenções dirigidas à otimização da função respiratória. 

Numa primeira fase, o EEER deverá ter como objetivo reduzir o medo e a ansiedade do doente, diminuir o seu trabalho respiratório e melhorar as trocas gasosas. Posteriormente, a sua atuação deverá passar por promover a adaptação do doente ao interface e ao ventilador, melhorar a relação ventilação/perfusão, mobilizar e eliminar secreções (caso seja necessário) e promover a participação e adesão da pessoa à Reeducação Funcional Respiratória (RFR), com o intuito de corrigir a insuficiência respiratória.  

Porém, o papel fulcral do EEER é de adaptar os exercícios de RFR, gerindo prioridades e optando por exercícios que sejam eficazes e que não obriguem a um grande dispêndio de energia, pois os doentes podem facilmente entrar em exaustão ou falência respiratória.

No entanto, a consciência dos insucessos deve estar sempre presente. Caso não se verifiquem melhorias, e se não existirem contraindicações, não se deve atrasar a ventilação mecânica invasiva.

Quando ocorre a estabilização da situação clínica da pessoa, programa-se a redução gradual dos parâmetros ventilatórios, planeia-se com a equipa os períodos de desconexão da VNI, auxilia-se os doentes a readquirirem a sua independência, através da melhoria do trabalho respiratório, na transição VNI – oxigenoterapia e promove-se a reeducação no esforço.  

Não existem cuidados de Enfermagem de Reabilitação diferentes para cuidados intensivos. Existem sim, doentes com diferentes características e necessidades, aos quais é necessário adaptar os cuidados.

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