quinta, 29 novembro 2018 16:50

Cancro do Pulmão: evolução e tratamento

Escrito por  Dr.ª Fernanda Estevinho, médica especialista em Oncologia Médica, Hospital Pedro Hispano, Matosinhos

Muitos têm sido os esforços efetuados nos últimos anos para conhecer a Biologia Molecular e o papel do microambiente tumoral no cancro do pulmão, o que já nos permite realizar terapêuticas dirigidas (a mutações, à interação entre o sistema imune e a neoplasia...) e melhorar a qualidade de vida e a sobrevivência do doente. É também de realçar que, para diminuir a morbilidade e mortalidade causada pelo cancro do pulmão, a prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais.

 

Falamos do cancro com maior taxa de mortalidade, a nível mundial, e no carcinoma mais frequente nos homens. Em 2018, foram registados a nível mundial cerca de dois milhões de novos diagnósticos, correspondendo a 11,6% do total de diagnósticos de cancro (segundo a Organização Mundial de Saúde). A idade mediana ao diagnóstico é, a nível mundial, aproximadamente 70 anos. Num estudo português (Hespanhol, et al), a idade mediana ao diagnóstico foi de 66 anos.

Em 2016, ocorreram em Portugal 4.085 óbitos por cancro do pulmão, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Nesse mesmo ano, ocorreram 27.357 óbitos por cancro, tendo-se verificado que o cancro do pulmão constituiu a principal causa de morte por cancro em Portugal.

O cancro do pulmão tem como principal fator de risco a exposição ao tabaco – está associado a cerca de 80-90% dos casos. O carcinoma não surge só em fumadores, mas a sua incidência poderia ser diminuída com uma redução do tabagismo, sendo muito importante a educação para a saúde e a cessação tabágica. Outros fatores de risco incluem a exposição a asbestos, a poeira radioativa e radón, poluição ambiental e infeção pelo VIH.

Os sintomas ao diagnóstico incluem tosse, hemoptise (perda de sangue na expectoração), falta de ar, alterações da voz, infeções recorrentes, dor, perda de peso, outros decorrentes dos locais de metastização e síndromes paraneoplásicos. De realçar que muitos destes sintomas ocorrem também na ausência de doença oncológica.

Mais de metade dos doentes, ao diagnóstico, apresenta doença avançada ou metastizada. Na tentativa de permitir um diagnóstico mais precoce, alguns estudos, como o estudo NELSON, têm avaliado em subgrupos de maior risco a implementação da tomografia computorizada como exame de rastreio.

A suspeita diagnóstica terá que ser confirmada com biópsia. Quando o resultado da biópsia confirma cancro do pulmão, o diagnóstico insere-se, na maioria das vezes, no “grande grupo” do cancro do pulmão de não pequenas células (CPNPC) - dos quais o mais frequente é o adenocarcinoma - e que corresponde a cerca de 80-90% dos cancros do pulmão. Por sua vez, o cancro do pulmão de pequenas células é mais raro, correspondendo a cerca de 15% dos casos.

O tratamento do cancro do pulmão é influenciado por características próprias do doente (comorbilidades, sintomas, estado geral e preferências) e da doença (diagnóstico anatomopatológico, biologia molecular, presença de biomarcadores, estadiamento/ localização da doença).

Na doença localizada, a cirurgia e as técnicas de radioterapia têm um papel preponderante, podendo ser também necessária a realização de quimioterapia. A imunoterapia poderá ser ponderada em doentes com CPNPC (estadio III), localizado, não operados, após realização de quimioterapia e radioterapia, de acordo com o estudo PACIFIC.

Em doentes com CPNPC e doença avançada assistiu-se a uma grande evolução da terapêutica nos últimos 10 anos. Por exemplo, em doentes com CPNPC e mutações do EGFR e rearranjo ALK, a terapêutica em primeira linha incluiu terapêuticas dirigidas a estes alvos e não quimioterapia. Na ausência destas mutações, a imunoterapia em monoterapia poderá ser uma opção em 1ªlinha para doentes com determinação de PD-L1 ≥50% (estudo KEYNOTE 024). A imunoterapia combinada com a quimioterapia mostrou eficácia em 1ª linha, independentemente da expressão de PD-L1, em diversos estudos.

Também para o cancro do pulmão de pequenas células, foram apresentados este ano os resultados de ensaios clínicos com novos fármacos/combinações incluindo imunoterapia, promissores.

Em conclusão, a evolução tem permitido o aumento da qualidade de vida e da sobrevivência.

 

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