sexta, 21 dezembro 2018 10:30

Mudanças terapêuticas no cancro do pulmão e consequentes mudanças prognósticas

Escrito por  Dr. Fernando Barata, presidente do Grupo de Estudos Cancro do Pulmão

Dados de 2018 da Agência Internacional para a Pesquisa do Cancro referem que um em cada cinco homens e uma em cada seis mulheres terão cancro durante as suas vidas. Também um em cada oito homens e uma em cada onze mulheres morrerão desta doença. 

 

Quer o aumento da população ao nível planetário, quer da esperança de vida terão um impacto direto nesta estimativa, aos que se junta o aumento diário da exposição a fatores de risco ligados ao desenvolvimento global, social e económico. Novos estilos de vida mais prevalentes no mundo industrializado em muito contribuirão para a escalada da incidência e mortalidade por cancro.

Na doença oncológica torácica, o tabaco continua a ser o principal fator com relação inequivocamente provada com cancro do pulmão. Estima-se que 1,3 biliões de pessoas no mundo são fumadoras, a ampla maioria das quais fumando cigarros de marca. Fumar é a primeira causa evitável de doença, incapacidade e morte prematura nos países mais desenvolvidos, contribuindo para seis das oito primeiras causas de morte ao nível mundial. Fumar provoca mortalidade prematura, com uma em cada cinco mortes, em ambos os sexos, entre os 45 e os 64 anos.

Cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e novas terapêuticas biológicas, qualquer destas isoladas ou associadas entre si e sempre aliadas à melhor terapêutica de suporte constituem as principais armas no tratamento do cancro do pulmão. Hoje, cada vez mais, a evolução faz-se no sentido, por um lado, da terapêutica personalizada – não há doentes iguais, para quê terapêuticas iguais; por outro lado, pela decisão interdisciplinar integrada, incluindo na equipa as diversas especialidades que diagnosticam e tratam cancro do pulmão – Anatomia Patológica, Biologia Molecular, Pneumologia, Cirurgia Torácica, Oncologia, Radio-oncologia, Imagiologia – entre outras.

Na última década, assistimos – em especial para a doença oncológica torácica avançada – ao nascimento e crescimento de novas classes de fármacos: as terapêuticas-alvo e a imunoterapia.
Para os doentes com mutações e translocações nas suas células tumorais e para os quais possuímos terapêuticas-alvo especificas conseguimos resultados globais, muitas vezes superiores aos 30 meses. Este aumento da sobrevivência decorre hoje com menor toxicidade dos fármacos, maior apoio social e melhor qualidade de vida para o doente e a família.

Também nos últimos anos, assistimos ao reconhecimento do papel do sistema imunológico no desenvolvimento e na progressão da doença oncológica. Sucessivos avanços demonstram que a ausência de uma resposta imunológica eficaz condiciona, por parte do tumor, mais proliferação. Hoje compreendemos como evitar esta evasão imunológica, com claro benefício clínico. Em utilização isolada ou combinada com a quimioterapia, estes fármacos duplicaram e por vezes triplicaram a sobrevivência global: falamos de 8 a 10 meses, no início deste século; para 18 a 30 meses, hoje.

Infelizmente, a incidência de cancro do pulmão vai continuar a aumentar. Estamos longe de um controlo efetivo dos hábitos tabágicos. Precisamos de continuar atentos a sinais e sintomas. Precisamos de continuar a investir num diagnóstico precoce. Evoluímos na abordagem terapêutica nas vertentes cirúrgica e com a radioterapia. Evoluímos na doença avançada com as novas terapêuticas. O prognóstico está diferente.

Texto original publicado no Jornal do Congresso disponível aqui.

 

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