sexta, 28 dezembro 2018 11:18

Doenças respiratórias: prevenção de agudizações

Escrito por  Dr.ª Cidália Rodrigues, pneumologista do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra

Em Portugal, as doenças respiratórias, em particular as doenças respiratórias crónicas e as suas agudizações, continuam a ser uma das principais causas de morbilidade, mortalidade e consumo de recursos de saúde.

Segundo o relatório do Programa Nacional das Doenças Respiratórias a pneumonia é atualmente a principal causa de internamento por doença respiratória em Portugal, seguido da DPOC, fibrose pulmonar e asma.

A redução das agudizações e do número de internamentos por causa respiratória pode passar pela adoção de medidas preventivas e/ou terapêuticas adequadas, tomadas particularmente a nível dos cuidados de saúde primários.

As infeções respiratórias, o tabaco, a exposição a fatores ambientais e alérgenos, as comorbilidades e o incumprimento terapêutico, são os principais fatores responsáveis pela agudização das doenças respiratórias crónicas.

Nesse sentido a prevenção das infeções respiratórias será um dos principais pilares de intervenção, com diretrizes e recomendações elaborados a nível nacional e internacional. Essas recomendações englobam medidas gerais e vacinação antigripal e antipneumocócica.

A cessação tabágica é outra das estratégias preventivas e é o desejável para todos os fumadores. Assim, todos os profissionais de saúde devem aproveitar o contacto com os doentes fumadores para realizar uma intervenção breve de cessação tabágica. O apoio e intervenção intensiva deve ser efetuada em consulta especificamente programada para o efeito, por profissionais habilitados e treinados.

Reabilitação respiratória

Os doentes com doença respiratória crónica, tem queixas frequentes de dispneia, baixa tolerância ao exercício e limitação nas atividades de vida diárias, o que induz inatividade, descondicionamento físico e por fim incapacidade e aumento da mortalidade.

Por exemplo na DPOC, há uma redução significativa do nível de atividade física desde os estádios precoces da doença e agrava com a progressão da mesma. O nível de atividade física é preditivo de mortalidade.

Como estratégia de melhor os sintomas, a tolerância ao exercício e a qualidade de vida, os doentes devem
ser incluídos em programas de reabilitação respiratória.

A reabilitação respiratória é uma intervenção abrangente baseada numa avaliação cuidadosa do doente, seguida de terapêuticas individualizadas que incluem, mas não se limitam a programas de exercício físico, educação para a autogestão da doença, suporte psicossocial, intervenção nutricional, entre outras.

O número reduzido de centros de reabilitação, bem como as dificuldades de acessibilidade, impõe a tomada de medidas de forma a permitir a inclusão de um número crescente de doentes com patologia respiratória crónica, com indicação para esta intervenção. A avaliação cuidadosa do doente, a determinação da complexidade/gravidade da patologia, a cooperação entre cuidados hospitalares e cuidados de saúde primários, são fatores determinantes no sucesso e ampliação desta intervenção.

 

Artigo original publicado no Jornal do Congresso do 3.º Encontro de Pneumologia com a Medicina Geral e Familiar, disponível em store.newsfarma.pt

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