quinta, 22 novembro 2018 16:18

Mais de 60% dos diagnósticos de cancro do pulmão são feitos em fase avançada da doença

Atualmente, um dos grandes desafios enfrentados pelos especialistas é conseguir diagnosticar o cancro do pulmão nas suas fases mais precoces. De acordo com o Dr. Fernando Barata, presidente do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão, este “progride durante anos de forma assintomática. Em cerca de 60% dos doentes o diagnóstico faz-se numa fase avançada, o que condiciona opções terapêuticas mais eficazes com uma consequente redução da sobrevivência”.

 

Contudo, “quando o tumor é diagnosticado numa fase precoce, a cirurgia com intenção curativa é a terapêutica de eleição. Para esses estadios iniciais, a sobrevivência aos cinco anos ultrapassa os 50% versus o diagnóstico já em fase avançada, com sobrevivências aos cinco anos inferiores a 5%”.

É, por isso, determinante estar atento aos sintomas. Tosse, expetoração e falta de ar são alguns dos mais comuns, mas é a expetoração raiada de sangue o sintoma mais alarmante para os doentes e aquele que os costuma levar ao médico. Já a tosse, esclarece o especialista, muitas vezes atribuída ao tabaco ou a causas ambientais, não é valorizada, erradamente, como sinal de alarme.

“Aqui, o que é importante é alertar para a persistência do sintoma. Se a tosse perdura ao longo do tempo, esta deve levar o doente ao seu médico de Medicina Geral e Familiar”.

Não só a população em geral está mais informada sobre o tema, como se tem assistido também a um reforço da investigação sobre a patologia, sobretudo nas suas formas mais graves.

“Os últimos anos foram de revolução em relação à investigação sobre o cancro do pulmão. A imunoterapia e a terapia-alvo foram passos importantíssimos. A quantidade de novos fármacos de elevada eficácia e baixa toxicidade constitui uma verdadeira revolução”, reforça o médico.

Ainda assim, é preciso mais. A implementação de um programa de rastreio para o cancro do pulmão, tal como já acontece com outros tumores, pode vir a ser uma forma de conseguir um diagnóstico e uma intervenção terapêutica mais precoce com consequente redução na mortalidade por este flagelo. Um caminho que o Dr. Fernando Barata acredita que fará parte de um futuro não muito distante.

“Nos próximos anos temos que definir quem rastrear e qual o melhor método de rastreio e criar a nível nacional toda uma estrutura para o implementar.” Por isso, e enquanto isto não é uma realidade, o especialista aproveita o mês de sensibilização para a doença para reforçar a mensagem que considera mais importante: a aposta numa redução dos fatores de risco, referindo-se “ao tabaco em todas as suas formas, em que se inclui o tabaco aquecido e o eletrónico. É importante que as pessoas que fumam deixem de o fazer e aqueles que nunca o fizeram se mantenham assim”.

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